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Esperando por um Céu que Podemos Imaginar

Aprofundando-nos na Doutrina

09 de março de 2015

Nota do Editor: esta série explora as doutrinas fundamentais da fé cristã e suas ramificações práticas para a vida cotidiana. Anteriormente nesta série:

D. A. Carson, Jesus Vive para Sempre Intercedendo Por Ti

Sam Storms, Cristo Voltará

Robert Peterson, Adotado pelo Deus Vivo

Gregg Allison, Aquele Que Sonda Corações

Fred Sanders, A Estranhez da Trindade É Uma Coisa Boa


O presidente da Coalizão pelo Evangelho, D. A. Carson diz: “Não valorizamos muito o céu porque não temos uma compreensão correta do que a Bíblia realmente diz sobre o céu.”

Para saber mais sobre o céu, em preparação para o tema da nossa conferência, entrei em contato com Randy Alcorn, fundador e diretor do Eternal Perspective Ministries – EPM (Ministérios de Perspectiva Eterna) e autor de mais de 40 livros, incluindo o best-seller “Heaven” [O Céu]. 


Que diferença o céu deveria fazer em nossas vidas agora? Porque você acha que muitos cristãos não desejam mais o céu? Quais são algumas das concepções mais errôneas sobre o céu?

Os cristãos diante da morte muitas vezes sentem que estão saindo da festa antes que termine, indo para casa mais cedo. Eles ficam desapontados, pensando em todas as pessoas e coisas das quais sentirão falta quando eles se forem.

Mas a verdadeira festa espera pelos filhos de Deus: pense no Pai se alegrando e comemorando com uma festa para o filho pródigo que voltou para casa (Lucas 15). A celebração já está em andamento na nossa verdadeira casa, na qual ainda não moramos, e é precisamente para lá que a morte nos levará. Assim como outros nos darão as boas vindas para a festa do céu, nós um dia acolheremos os que chegarāo mais tarde.

Deus comanda em sua Palavra que busquemos as coisas que sāo de cima, onde Cristo está (Cl 3.1). Nós focamos em um lugar real, onde o Cristo, eternamente encarnado e ressurreto, vive. Ele comanda que nós aguardemos “novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pe 3.13), o cosmo ressurreto, o nosso lar futuro e eterno.
Paulo diz: “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm 8.18). Se nós não entendemos essa glória futura do céu que nos espera, não veremos os nossos sofrimentos atuais encolherem em comparação com a sua grandeza.

O que Deus nos criou para desejarmos é exatamente o que ele promete para aqueles que seguem a Jesus Cristo: a vida ressurreta em um corpo ressurreto, com o Cristo ressurreto em uma terra ressurreta. Nossos desejos correspondem exatamente aos planos de Deus. Não é que desejemos algo, por isso nos envolvemos em pensamentos ilusórios. É o oposto, desejamos vidas humanas reais como pessoas reais incarnadas, porque Deus nos programou dessa forma e sempre planejou assim. 

Será que o céu nunca será chato?

Seremos mais propensos a pensar que o céu é chato se pensarmos nele como um estado desencarnado. Mas o céu perfeito onde viveremos para sempre é definido pela ressurreição, e a ressurreição é, por definição, encarnada. Jesus falou da “renovação de todas as coisas” que acontecerá (Mt 19.27-28). Pedro pregou sobre os “tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas” (Atos 3.21). Para pessoas ressurretas em um universo renovado, o tédio será impensável.

Nossa crença de que o céu vai ser chato revela uma heresia: que o próprio Deus é chato. Não existe absurdo maior. O nosso desejo de sentir prazer e a experiência da alegria vêm diretamente da mão de Deus. Ele fez as nossas papilas gustativas, a adrenalina e as terminações nervosas que transmitem prazer para os nossos cérebros. Da mesma forma, nossa imaginação e capacidade de alegria foram feitas pelo Deus que alguns imaginam que seja chato. Será que somos tão arrogantes a ponto de imaginar que os seres humanos inventaram a ideia de se divertir?

“Será que não vai ser chato que sermos bons o tempo todo?” Isso pressupõe que o pecado é emocionante e a retidão é chata, que é uma das mentiras mais estratégicas do diabo. O pecado não traz satisfação, ele rouba a nossa. Quando há beleza, quando vemos Deus como ele realmente é, um reservatório inesgotável de fascinação, o tédio se torna impossível.

Deus delegou o governo de sua criação a nós, e reinaremos com ele sobre sua nova criação. Teremos coisas a fazer, lugares para ir, pessoas para ver. É garantido que o céu será uma aventura emocionante, porque Jesus é uma pessoa emocionante, a fonte de todas as grandes aventuras, incluindo aquelas que nos esperam no universo novo.

Será que vamos comer e beber no céu?

Palavras que descrevem comer, refeições e alimentos aparecem mais de mil vezes nas Escrituras, e a palavra traduzida como “banquete” ocorre 187 vezes. Banquete envolve festa e diversão; é profundamente relacional. Conversas boas, contação de histórias, construção de relacionamentos e risos acontecem durante as refeições. Festas, incluindo a Páscoa, eram reuniões espirituais que chamavam a atenção para Deus, a sua grandeza e a sua redenção.

Pessoas que se amam adoram comer juntas. Jesus disse aos seus discípulos: “assim como meu Pai me conferiu domínio, eu vo-lo confiro a vós; para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.” (Lucas 22.29-30). Ele prometeu: “Também vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus ” (Mt 8.11). Os alimentos e bebidas mais refinados, de acordo com Isaías 25.6, serão preparados para nós pelo próprio Deus.

Jesus sabia que suas palavras seriam atraentes para todos aqueles que as ouvissem. Como pode ser trivial ou não-espiritual esperar por essas coisas? Você não acha que ele quer que nós desejemos comer à sua mesa?

Em meu livro “Heaven”, eu inventei o termo “Cristoplatonismo”. É refletido por um homem cristão em nossa igreja, que depois de eu haver pregado sobre a vida ressurreta me disse “Essa ideia de termos corpos e comermos alimentos e estarmos em um lugar terrestre. . . soa tão 'não-espiritual'.” Se cremos que os corpos, a terra e as coisas materiais não são espirituais, então inevitavelmente rejeitaremos a revelação bíblica sobre a nossa ressurreição corporal ou as características físicas da nova terra. Mas a ideia de que o físico é inerentemente não-espiritual não é bíblico. Como C. S. Lewis disse a respeito de Deus, “Ele gosta de matéria. Ele a inventou.”

Como serão os relacionamentos no céu?

As Escrituras nos dizem que todos viveremos com a mesma pessoa (Jesus), no mesmo lugar (céu), com o povo de Deus (a igreja). Paulo diz em 1 Tessalonicenses 4.18 “portanto consolai-vos uns aos outros com estas palavras”, em referência a estarmos juntos com o Senhor para sempre. Então, claramente, passaremos a eternidade com nossos entes queridos em Jesus.

Cristo disse que não haverá casamento humano no céu (Mt 22.30).No entanto, haverá casamento no céu, um casamento, entre Cristo e sua noiva, e todo o seu povo será parte dele (Ef. 5.31-32). Nanci e eu não seremos casados um com o outro, mas seremos parte do mesmo casamento com Jesus.

Tenho todas as razões para acreditar que no céu, estarei mais perto da minha esposa, filhos e netos do que nunca. Não será o fim do nosso relacionamento, mas eles serão elevados a um novo nível. Nossa fonte de conforto não é só que nós estaremos com o Senhor no céu, mas também que estaremos um com o outro.

Será que seremos capazes de pecar no céu?

Cristo promete que na nova terra, “não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4). Uma vez que “o salário do pecado é a morte” (Rm. 6.23), a promessa de não haver mais morte é uma promessa de não haver mais pecado. Aqueles que nunca morrerão nunca podem pecar, uma vez que os pecadores sempre morrem. O pecado causa luto, choro e dor. Se estes nunca ocorrerão novamente, então o pecado não pode acontecer.

Nós teremos a verdadeira liberdade no céu, uma liberdade justa que nunca peca. Desde que Adão e Eva pecaram, apesar de viverem em um lugar perfeito, como fez Satanás, muitas pessoas se perguntam se vamos pecar um dia no céu. A Bíblia diz que Deus não pode pecar. Seria contra a sua natureza. Uma vez que estivermos com ele, será contra a nossa natureza também. Nós teremos o mesmo desejo de não pecar que Jesus tem.

Jesus disse: “O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. . . . Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. (Mt 13.41-43 NVI). O que será tirado? Tudo o que causa pecado e todos os que praticam o mal.

O pecado não terá absolutamente nenhum encanto para nós. Será literalmente impensável. A memória do mal e do sofrimento nesta vida irá servir como um lembrete eterno dos horrores e do vazio do pecado. Pecado? Já passei por isso, já fiz; já vi como era feio e desastroso!

Paul Helm escreve: “A liberdade do céu, então, é a libertação do pecado; não que o crente é livre do pecado por acaso, mas que ele é tão constituído ou reconstituído que ele não pode pecar. Ele não quer pecar, e ele não quer desejar o pecado. “

Como podemos usar a doutrina do céu ao compartilhar o evangelho com alguém?

O céu é um ótimo assunto evangelístico quando o retratamos tal como a Bíblia o faz. Satanás tem apostado nas nossas ideias erradas sobre o céu. Quando ele o descreve como um lugar chato, monótono, tedioso e maçante para onde ninguém quer ir, toda a motivação para o evangelismo é removida.

Por que queremos que os nossos amigos passem a eternidade em um lugar eternamente maçante? E por que eles iriam querer ir para lá? Ninguém quer ser um fantasma quando morrer. Uma vida sem corpo é menos atraente do que comer vidro quebrado.

Por outro lado, é uma grande fonte de incentivo e motivação quando os cristãos entendem que o céu é um lugar físico emocionante em um mundo redimido com pessoas resgatadas em relações redimidas sem pecado e sem morte, onde há música, arte, ciência, esportes, literatura e cultura. “E todos viveram felizes para sempre” não é apenas um conto de fadas. É a promessa de Deus comprada com sangue para todos os que confiam no evangelho.

A nova terra é o lugar onde não haverá mais dor e sofrimento e Deus enxugará as lágrimas de todos os olhos (Ap 21.4). Essa é a promessa perfeita para compartilhar com os descrentes.  Devemos assumidamente dizer-lhes que a felicidade que eles almejam, a reconciliação com o Deus de quem flui felicidade, é encontrada somente em Jesus, é isso que torna o evangelho “boas novas de grande alegria”!

Traduzido por Mariana Alves Passos

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