Algumas manhãs atrás, meu marido e eu oramos juntos com nossos filhos. Antes que saíssemos de casa, nos olhamos nos olhos, e nos beijamos. Mais tarde, na hora do almoço, tivemos uma conversa significativa sobre prioridades pessoais para nossas finanças. Também conversamos sobre a nossa igreja. Ninguém gritou, ou chorou, ou se calou. Mais tarde naquela noite, jantamos juntos como família. Rimos bastante. Eu lavei os pratos. Ele pagou as contas na sala de estar. Depois que as crianças foram dormir, nós dois terminamos o dia lendo lado a lado no sofá.

A nossa é a história de um casamento feliz. 

Devemos esta felicidade à graça e à misericórdia do nosso Senhor. E um de seus meios amorosos tem sido o nosso lugar na igreja local. 

Quando mais um pastor cai publicamente em grave pecado, danoso para a alma, do tipo que destrói a família, espectadores podem rapidamente se manifestar para colocar a culpa na vida em igreja. Nos últimos meses li muitos artigos que afirmam que a vida de ministério faz com que pastores e suas esposas sejam inerentemente solitários, hipócritas, distraídos, vulneráveis ao pecado, ou propensos a se despedaçarem pelo estresse. A mensagem cumulativa é clara: Quando há um fracasso, a culpa é da igreja. 

Sei que a vida ministerial pode trazer desafios únicos e, as vezes intensos para a família. Sei que não há nem igrejas perfeitas nem pastores perfeitos nem esposas de pastores perfeitas. O pecado é um monstro com tentáculos que pode nos arrastar para a morte a partir de muitas direções ao mesmo tempo. 

Mas também conheço em primeira mão o privilégio de um casamento em meio ao ministério.

E temo que a ladainha sem fim culpando o ministério, possa fazer com que pastores fiéis e suas esposas vejam a igreja como inimiga de seu casamento, em vez de sua melhor aliada.  

Os Braços de Arão e Hur

Não consigo contar o número de vezes em que a nossa igreja orou publicamente por nós e por nosso casamento. Nas manhãs de domingo vindo do púlpito. Nas noites de quarta-feira, durante a reunião de oração. Nas manhãs de terça-feira no estudo bíblico. O povo de Deus está regularmente e especificamente orando por nós para que tenhamos um casamento amoroso, fiel e feliz. 

Estas orações são os braços de Arão e Hur, segurando nosso casamento sempre que ele fica cansado. São uma arma ofensiva contra Satanás, reduzindo a tentação antes que ela comece. E são um convite aberto para alegria corporativa, permitindo que “muitos” nos ajudem “com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.” (2Co 1.11). 

Graça na Nuvem

Na vida da igreja, estamos cercados por casais que prosperam em seus casamentos, amando uns aos outros, servindo a Deus e buscando fidelidade. Nós os observamos enquanto trabalham e adoram juntos. E vemos a graça de Deus sobre eles, quando chegam as provações. 

A vida ministerial tem nos levado para junto de leitos de hospital e leitos de morte, à caminhões de mudança e salas de espera, a fazendas assoladas pela seca e a empresas duramente atingidas. Temos visto casamentos passarem através das ondas do mar e sairem cantando “está tudo bem.” 

Estes casais são a nossa nuvem de testemunhas: nos aplaudindo, refrescando as nossas almas, e nos apontando para o Deus que também está a trabalhar neles.

Graça na Dor

Também temos visto casamentos morrerem. Muitas vezes choramos juntos por casais da igreja que não conseguiram vencer, que chegaram ao fim da linha cheios de alegações, num tribunal sombrio,. E nos prostramos em temor, tristeza e raiva por todos os pecados que os levaram a este fim. 

Mas mesmo o feio é graça para o nosso casamento. Ao observar os carros amassados ao lado da estrada, eu decido dirigir com mais cautela. Ao ver a casa vizinha queimar totalmente, eu verifico as baterias dos meus detectores de fumaça. Ao testemunhar um amigo cair num precipício, eu me viro e me afasto para longe de sua borda irregular.

Graças a Deus

Do Que Realmente Precisamos

Artigos e atualizações de status que culpam o ministério, têm razão quando observam que a vida ministerial contem muitas restrições. As pessoas estão nos observando. Há demandas sobre nosso tempo. Em todos os momentos espera-se que ajamos como cristãos. Isto é verdade. 

Estas Restrições São a Graça de Deus. 

Por causa do ministério, eu necessito falar gentilmente com meu marido e também sobre ele. Devo servir a Deus junto com ele. Devo dar um exemplo para cristãos mais jovens. Devo me cercar de cristãos mais maduros. Devo submeter-me à direção dos presbíteros. Devo comparecer duas vezes aos domingos para adorar a Deus com a minha família. 

E não é exatamente isto aquilo que meu casamento necessita? 

Não saberia dizer como meu casamento seria se meu marido não fosse pastor. Tenho somente a vida que Deus nos deu. Mas uma coisa eu sei: a vida ministerial é, pela bondade de Deus, boa para o meu casamento.


Nota do Editor: Este artigo foi publicado originalmente no Sunday Women. 


Traduzido por Ethel Friggi